história
As Grutas de Santo António, vizinhas das Grutas de Alvados, encontram-se localizadas no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros na freguesia de Alvados, concelho de Porto de Mós e fazem parte do maciço calcário da província da Estremadura, que está integrado num circuito de grande valor histórico e científico localizado na zona oeste no centro de Portugal, cujo interesse turístico e paisagístico tem relevo nacional e internacional. Numa região dominada pelo ambiente próprio da presença dominante do calcário, em que o pouco espaço urbano cede perante a beleza natural envolvente da paisagem, surgem-nos por todo o lado os característicos muros de pedra solta e os estreitos caminhos que outrora eram de convívio de pastores e passagem de rebanhos, num mundo de pastagens e matos rasteiros de composição variada, em que a serra vai perdendo altura até ao litoral oceânico onde marcam presença praias famosas como Peniche, Foz do Arelho, S. Martinho do Porto, Nazaré, S. Pedro de Moel ou Vieira, mas sobretudo destacamos duas muito próximas uma da outra mas muito diferentes entre si…, a praia da Nazaré pelo sua pitoresca tradição piscatória e a praia de S. Pedro de Moel pelo seu exemplo de preservação urbanística.
As Grutas de Santo António estão integradas num parque natural no centro do país e num raio de 50 km marcam presença localidades cujo destino turístico apresenta grande valor histórico e arquitectónico, plenamente justificado pelos castelos de Leiria, Óbidos, Porto de Mós, Santarém, Torres Novas, Almourol ou Ourém e para além do Mosteiro da Batalha e dos conventos de Alcobaça e Tomar, localiza-se a 25 km o Santuário de Fátima, local de culto religioso cuja dimensão ecuménica é impar no contexto mundial e dispensa qualquer apresentação adicional dado o seu reconhecimento nacional e internacional. As grutas foram descobertas em 1955, foram visitadas ao longo dos primeiros anos sem grandes condições, mas só abriram oficialmente ao público e com todas as obras realizadas em 1971, data da sua inauguração oficial pelo Secretário de Estado do Turismo, sendo de realçar que a sua descoberta acabou por entrar no imaginário colectivo dos portugueses, que associam de imediato o seu nome ao rapazinho de cinco anos que, perseguindo o esvoaçar de uma “gralha” pelo meio da vegetação rasteira, deu com a entrada de um “algar” de vários metros de profundidade onde este pássaro característico da região se refugiou.
As Grutas de Santo António só foram descobertas devido à insistência deste jovem de cinco anos com a ajuda de um grupo de trabalhadores de uma pedreira próxima onde trabalhava o seu pai, que decidiu pedir ajuda e com o recurso a cordas e caixas de fósforos, desceu até ao fundo do desconhecido “algar”, encontrando deste modo um mundo subterrâneo composto por um maravilhoso rendilhado natural e uma inesperada gama de contornos e transparências, que surgia das suas inúmeras e caprichosas formações calcárias. Foram as primeiras grutas a ser exploradas comercialmente, inicialmente as visitas tinham lugar através de uma escadaria de madeira sem final á vista, onde só as lanternas davam a conhecer, de quando em quando, todo um espaço subterrâneo enriquecido por um enorme lago natural, mas com a sua emergente divulgação e o consequente aumento de visitantes, foram realizadas obras estruturais no interior e exterior das grutas, com o objectivo de proporcionar melhores condições de acesso ao seu percurso interior, que obrigou á abertura de um túnel artificial escavado na rocha com mais de 20 m de comprimento e á construção de um sistema de passadeiras que garantem até hoje, uma visita absolutamente segura.
As Grutas de Santo António são servidas por um conjunto de edifícios de apoio e a visita inicia-se pelo túnel artificial que desce até a uma primeira sala onde se pode admirar o grande lago natural, que funciona como antecâmara a uma estreita passagem que depois se abre numa sala monumental e única, cuja dimensão e beleza a tornam invulgar, continuando a ser considerada pelos especialistas e público em geral como uma das mais belas e ricas da Europa. A enorme área da sala principal é impressionante e vai-se descobrindo e vendo de vários ângulos, num percurso que nos mostra diferentes situações e inesperados recantos, que se repetem em múltiplas formações de “estalactites” e “estalagmites” em grande quantidade e muito concentradas, com formas de rara beleza e contornos rendilhados, criando a sensação de um mundo mágico de formações esculturais sem fim aparente. A sensação que se colhe na visita quase obrigatória a tão afamadas grutas é de admiração pelo trabalho executado pela natureza ao longo de mais de 50.000 anos, servido por uma iluminação indirecta a realçar as suas cores naturais e toda uma gama de tons e transparências visíveis nas suas diversas formações calcárias ou no seu lago principal.
As Grutas de Santo António tinham inicialmente vários acessos possíveis, mas muito limitados e só realizados através dos estreitos caminhos bordejados por contínuos muros de pedra sobreposta existentes na região, que atravessam todo o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e que são uma das suas características mais marcantes, mas ao longo dos anos, estes acessos não só foram melhorados e alargados, como passaram a ser servidos por duas das principais auto estradas que atravessam o país quer para norte quer para sul, a A1 com saída em Torres Novas e a A8 com saída em Porto de Mós. As grutas têm uma área visitável de 6.000 m2, a sua sala principal atinge a largura máxima de cerca de 80 m com uma altura interior que se aproxima dos 45 m e a sua ventilação natural mantém durante todo o ano o interior da gruta a uma temperatura estabilizada e constante entre os 16 e os 18 graus centígrados. As Grutas de Santo António e as Grutas de Alvados formam um dos melhores e mais belos conjuntos de grutas naturais abertas ao público em Portugal, o que por si só justifica programar uma visita a este cenário natural a que já apelidaram de “o reino da pedra”. Visite as Grutas de Santo António, mas não perca as Grutas de Alvados !...